Selo da agricultura familiar de MT é reconhecido pelo Ministério da Agricultura
Certificação criada pelo CAT Sorriso reúne 17 produtores e passa a integrar programa federal de boas práticas agrícolas.
Do RDNews
O projeto Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso, desenvolvido pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), passou a integrar o Programa de Promoção de Boas Práticas Agrícolas, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O reconhecimento foi oficializado por portaria publicada no Diário Oficial da União em 10 de julho.
A certificação representa um avanço para a agricultura familiar do médio-norte mato-grossense ao reconhecer produtores comprometidos com sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e segurança dos alimentos. Atualmente, o selo contempla 17 agricultores familiares de Sorriso, Vera e Boa Esperança do Norte.
Para a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva, a conquista valida um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. “É com grande alegria e sentimento de dever cumprido que recebemos o reconhecimento do Ministério da Agricultura, que representa a validação de um trabalho construído com muita seriedade, dedicação e compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar”, afirma.
Segundo ela, o reconhecimento é resultado do esforço conjunto entre produtores, equipe técnica e parceiros envolvidos na iniciativa.
Para conquistar a certificação, os agricultores precisam cumprir 27 critérios técnicos que avaliam desde a regularização documental, gestão da propriedade e planejamento produtivo até boas práticas agrícolas, segurança alimentar, bem-estar animal, gestão de riscos e responsabilidade ambiental.
A assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa, destaca que a preservação ambiental está entre os principais requisitos do programa. Entre as exigências estão a separação correta de resíduos e a adoção de sistemas de compostagem para reaproveitamento dos resíduos orgânicos e agrícolas.
Um dos produtores certificados é Ivaldino Han, proprietário do Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sorriso. Na propriedade são cultivados banana, mamão, maracujá e abacaxi. A produção abastece escolas públicas, feiras, frutarias e mercados da região. “Este reconhecimento do Ministério da Agricultura representa a valorização do nosso trabalho. É um incentivo para continuarmos adotando as boas práticas agrícolas, além de transmitir mais confiança aos nossos consumidores”, afirma.
Além da certificação, os produtos recebem um QR Code que permite ao consumidor acessar informações sobre o produtor, a propriedade, o sistema de produção, imagens da lavoura e a origem dos alimentos, reforçando a transparência e a rastreabilidade.
A produtora Elizane da Silva, que cultiva melão em Sorriso, afirma que o selo ajuda a diferenciar a produção regional da concorrência. “Esse reconhecimento reforça que estamos produzindo alimentos com responsabilidade, qualidade e segurança. Isso aumenta a confiança dos nossos clientes e valoriza a agricultura familiar.”
O agricultor Gutemberg Oliveira Chagas, produtor de mandioca, farinha e goiaba, também destaca o ganho de visibilidade proporcionado pela certificação. Já a produtora de hortaliças orgânicas Maricilda Ludwig avalia que o reconhecimento fortalece a credibilidade dos agricultores perante o consumidor.
Resultados
Em quase dois anos de execução, o projeto já acompanha 164 hectares de propriedades rurais, sendo 103 hectares destinados à produção. No período, houve expansão de 18 hectares de áreas produtivas, refletindo o crescimento da iniciativa e o fortalecimento da agricultura familiar na região.
Este é o segundo projeto do CAT Sorriso reconhecido nacionalmente pelo Ministério da Agricultura. Em 2025, a entidade já havia recebido reconhecimento pelo projeto Gente que Produz e Preserva, voltado a agricultores que produzem soja certificada pelo padrão internacional RTRS.
Segundo a CEO do CAT Sorriso, Cristina Delicato, os dois reconhecimentos consolidam a atuação da entidade na promoção de uma produção agrícola sustentável, conciliando o fortalecimento da agricultura familiar, a conservação ambiental e a melhoria contínua das práticas produtivas. (Com assessoria)










