Criminosos investiram cerca de R$ 3 mi em assalto em Confresa, aponta Gerência de Combate ao Crime Organizado
Promessa do crime era que de os suspeitos ficariam milionários.

Thalita Queiroz e João Aguiar | RDNews
A terceira fase da Operação Pentágono, que investiga o ataque à transportadora de valores Brinks, em Confresa (a 1.050 km de Cuiabá), ocorrido em abril de 2023, revelou que os criminosos envolvidos no caso investiram aproximadamente R$ 3 milhões no crime. Em coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (9), os delegados Gustavo Belão, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Igor Sasaki e Rafael Scatolon, coordenador de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor), afirmaram ainda que a “promessa do crime” era de que os suspeitos ficariam ricos.
“Uns falam em 40 milhões, outros falam em 60 milhões [que eles conseguiriam levar no assalto], mas isso foi repercutido pela mídia. Em nenhum momento a gente teve acesso, por questões de segurança, em relação ao valor, à quantia que tinha lá dentro da Brinks. […] A promessa era essa: nós vamos ficar milionários”, afirmou Igor Sasaki.
O ataque na época envolveu 20 criminosos fortemente armados. Parte do grupo invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu policiais e incendiou o prédio público, e outra parte, com explosivos, tentou arrombar o cofre da Brinks.
Sasaki explicou ainda que existiria uma divisão de valores que fossem subtraídos durante o roubo. O delegado destaca que, mediante investigação, foi descoberto que um dos integrantes do grupo, Francivaldo Moreira Pontes, conhecido como “Velho Ban”, morto em um confronto em 2024, no Maranhão, já havia feito uma promessa de compra de uma fazenda no valor de R$ 5 milhões.
Segundo Igor, no contrato constava que o pagamento do imóvel seria feito 15 dias após o crime. “Eles tinham a certeza de que iriam acessar os valores da empresa de transporte de valores”, pontuou.
A investigação, que levou mais de dois anos para identificar e responsabilizar todos os envolvidos, apontou que a quadrilha foi dividida em seis núcleos principais: comando e comando financeiro; execução; apoio, logística e fuga; núcleo de apoio no Pará; núcleo de apoio no tocantins; e locação veicular.
O caso
Em um domingo, 9 de abril de 2023, 20 criminosos fortemente armados sitiaram Confresa em uma ação coordenada. Parte do grupo invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu policiais e incendiou o prédio público, enquanto outras frentes da quadrilha destruíram veículos e prédios públicos, criando um clima de terror entre a população local.
O principal alvo da ação era a transportadora de valores Brinks. Utilizando explosivos de alta potência, o grupo criminoso tentou arrombar o cofre, mas não teve êxito e foi forçado a fugir, abandonando os veículos e parte do material utilizado na ação.
Domínio de cidades
Essa modalidade se caracteriza pela violência instrumental e performática empregada na ação, quando grupos criminosos questionam a capacidade das instituições de garantir a segurança pública no município alvejado, e consiste no planejamento, recrutamento, preparação, invasão e ocupação da cidade-alvo; por fim, há a evasão.
O “domínio de cidades” sempre se dá mediante o emprego de violência extrema, uso ostensivo de armas de grosso calibre, uniformes táticos e equipamentos de proteção balística, com o emprego de explosivos de alta capacidade destrutiva.
O ataque em Confresa foi marcado por extrema violência, com uso de armamento pesado, explosivos, incêndios e restrição da liberdade de vítimas, além de ações coordenadas para dificultar a resposta das forças de segurança.
Operação Pentágono
A primeira fase da investigação, deflagrada logo após o crime, resultou na prisão de três dos envolvidos nos estados do Pará e Tocantins. Naquela oportunidade, as equipes da GCCO e da Regional de Vila Rica chegaram à identificação das residências, na cidade paraense de Redenção, que serviram de apoio ao grupo.
Dezoito integrantes do bando criminoso, que participaram do assalto, morreram nos dias subsequentes ao crime, durante as buscas realizadas na região do município de Pium, no estado do Tocantins, no âmbito da Operação Canguçu.
Em outubro de 2023, com a deflagração da segunda fase da operação, a GCCO cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em seis estados contra membros do grupo criminoso.
Como resultado das buscas, foram apreendidos um fuzil, 360 munições de calibres variados, eletrônicos e veículos utilizados pela quadrilha.
A operação também resultou na prisão de membros que forneceram apoio logístico e financeiro para os criminosos que invadiram a cidade de Confresa.










