Polícia

Bolsonarista acusado de matar colega já responde pelo crime de latrocínio

Juiz converteu a prisão em preventiva; além de citar os antecedentes, destacou que a intolerância não deve ser admitida

Bárbara Sá | RDNews 

O juíz Carlos Eduardo Pinho Bezerra de Menezes, da 3ª Vara da Comarca de Porto Alegre do Norte, converteu em preventiva a prisão do bolsonarista Rafael Silva de Oliveira, 24 anos, suspeito de matar o lulista Benedito Cardoso dos Santos, de 42 anos, na manhã de ontem (08) em na zona rural de Confresa (MT). Eles tiveram uma discussão política e Rafael, exaltado, teria dado várias facadas em Benedito, e dito ainda que o objetivo ainda era decaptá-lo.

Além do crime bárbaro, o juiz destacou que ele já responde por latrocínio na 3ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, além de recentemente ter sido preso em flagrante pela suposta prática dos crimes de estelionato e falsificação de documento particular.

“O risco concreto de reiteração delitiva, demonstrado pela existência de maus antecedentes, reincidência, atos infracionais pretéritos, inquéritos ou ações penais em curso, pode justificar a imposição da prisão preventiva devido à necessidade de se assegurar a ordem pública”, destacou.

O magistrado afirma que analisando os elementos informativos juntados aos autos, foi constatado a ocorrência de crime gravíssimo, no qual uma vida humana foi ceifada. Ademais, analisando o feito de forma preliminar em audiência de custódia, constata-se que o delito teria ocorrido por razões de divergências político-partidárias.

“Assim, em um Estado Democrático de Direito, no qual o pluralismo político é um dos seus princípios fundamentais  torna-se ainda mais reprovável a conduta do custodiado. A intolerância não deve e não será admitida, sob pena de regredirmos aos tempos de barbárie. Lado outro, verifica-se que a liberdade de manifestação do pensamento, seja ela político-partidária, religiosa, ou outra, é uma garantia fundamental irrenunciável”, disse.

O crime

De acordo com as informações da Polícia Civil, o suspeito é eleitor de Jair Bolsonaro (PL) e teria demonstrado apoio à reeleição do presidente. Já Benedito defendia a eleição do principal opositor do governo, o ex-presidente Lula (PT).

A briga entre os dois teria começado já na noite da quarta (7), dia marcado por manifestações partidárias durante as homenagens ao Dia da Independência do Brasil. Entretanto, somente na manhã desta quinta o corpo de Benedito foi encontrado pela sua chefe, que não foi identificada.

Em relato à Polícia Civil, a mulher explicou que perguntou à Rafael o que teria ocorrido, já que ele foi o último a estar com a vítima, mas o suspeito teria contado uma história confusa e isso a deixou desconfiada.

À chefe, Rafael disse que dois homens teriam invadido o local, executado Benedito e depois ainda teriam tentado matá-lo. Contudo, momentos depois Rafael pediu um adiantamento, com a intenção de fugir. Por isso, a mulher resolveu chamar a Polícia Militar.

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