Prefeito de Campinápolis é alvo de denúncias de nepotismo cruzado e lavagem de dinheiro
Câmara já leu a denúncia apresentada contra José Bueno (UB) na última sessão e aguarda trâmite legal para colocar em votação a instauração de Comissão Processante.

João Pedro Donadel | Semana
Denúncia apresentada através da Ouvidoria da Câmara Municipal de Campinápolis acusa o prefeito José Bueno (UB) de nepotismo cruzado, lavagem de dinheiro, dano de patrimônio público, lesão corporal e dano material.
O documento encaminhado pela Ouvidoria foi lido no plenário da Casa de Leis na sessão do dia 2 de maio. Agora, os vereadores aguardam trâmite para que instauração de Comissão Processante possa ser votada.
Segundo o procurador jurídico da Câmara, Rafael Pereira, será averiguado se o autor da denúncia está apto para apresentar a denúncia, ou seja, estar quite com a Justiça Eleitoral, o que o caracteriza um eleitor. Esse procedimento é feito para que não haja vícios no processo.
Após essa verificação, a procuradoria irá emitir parecer aos vereadores, para que a aceitação da denúncia possa ser votada. Será necessária a maioria simples do quórum do dia da votação.
No documento, além dos crimes citados acima, também é apontado a malversação do dinheiro público por parte do prefeito, ao denunciar a lotação de servidores comissionados “muitos apontados a pedido de nossos vereadores”, acarretando no estouro da folha de pagamento.
Quanto as demais infrações, o denunciante fala sobre um ocorrido envolvendo uma discussão entre o filho do prefeito e sua namorada, que José Bueno compareceu ao local e, segundo a denúncia, agrediu uma cidadã que gravou o ocorrido e quebrou seu celular.
“A cidade inteira sabe desse episódio ocorrido no mês de abril/2022, mas ninguém toma providência porque sabe que envolve a autoridade máxima do município”, relata.
Ele também acusa o prefeito de dano ao patrimônio público, dizendo que o gestor “quebrou a mesa de reunião que fica na sua sala, com um soco. O que foi feito? Nada. Aquilo lá é bem público.”.
Também é feita a acusação de que o gestor nomeou a enteada do presidente da Câmara de Campinápolis, Antônio Rodrigues (UB), como Coordenadora de Relações Institucionais em Barra do Garças, caracterizando nepotismo cruzado.
“Tal cargo é só para cumprir acordos políticos do prefeito e angariar lobby com o presidente da câmara para aprovar projetos e não mover uma palha contra o prefeito (como imagino que será feito com esta denúncia). A servidora ganha dinheiro da prefeitura sem fazer nada. Basta solicitar as relações de serviços solicitados para ela ou realizados por ela, não vai achar nada, sequer um e-mail, mensagem etc”, diz o denunciante.
No que tange à lavagem de dinheiro, o acusador disse à ouvidoria que o prefeito deseja contratar uma empresa de detetização, para realizar o serviço em órgãos públicos, sobretudo aqueles ligado ao tratamento de Covid-19.
“Um contrato de quase R$ 2 milhões sendo que até o posto de covid já foi desativado. Além do mais, estão pagando ainda aos servidores da saúde gratificação do covid”, destaca.
Sobre as denúncias listadas, o procurador da Câmara explicou que, além de comprovar sua quitação com a Justiça Eleitoral, o denunciante deverá apresentar indícios de provas para que elas possam ser investigadas.
“Caberá aos vereadores decidirem se eles analisarão denúncia por denúncia, em processos separados, ou será todas em um processo só, deixando apenas para o relatório a decisão sobre cada denúncia”, explicou Rafael, garantindo a autonomia dos legisladores.
Ele também disse que o parecer deve ser encaminhado aos vereadores até o fim desta semana, e caso o denunciante se encaixe nos critérios básicos para que suas acusações sejam aceitas, a mesa diretora pode colocar em votação já na próxima sessão, no dia 30 de maio, aceitando ou arquivando aquilo que foi denunciado.
Nossa reportagem tentou contato com o prefeito José Bueno que, visualizou nossas mensagens e, até o fechamento da matéria, não nos respondeu.